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Quase três anos de música... Quase três anos de festas, discos e concertos... Quase três anos de opiniões, discussões e divagações... Quase três anos... Obrigada.

2005-2007

Afinal, há Natal.

Pop Dell'Arte, dia de Natal, no Maxime.

Esta é a semana de


Para ler: Público (Y) de hoje
Para ver: Cinemas Cidade do Porto - King - Monumental
Para ouvir: Radar 97.8 FM Sábado, 18h00 - Domingo, 22h00

1001 discos para ouvir antes de morrer # The Jimi Hendrix Experience

Are you Experienced (1967)

Uma aura mágica rodeia a figura de James Marshall Hendrix nos nossos dias. A sua mestria quase sobrenatural com a guitarra eléctrica e a destreza com efeitos como o feedback continuam sem ser superados. A maneira de tocar de Hendrix representou toda uma inovação do uso desse instrumento, numa altura em que músicos como Clapton estavam no auge. A fusão de música psicadélica, blues e funk, as grandes canções que compôs, a sua relevância como músico negro no mundo do rock dominado por brancos e o seu dandismo deixaram de boca aberta a aristocracia do rock dos anos 60.
Não é de estranhar, portanto, que Are You Experienced seja um dos melhores álbuns de estreia de sempre. Na nova versão editada em cd, em 1997, produzida sobe a orientação do engenheiro de som original, Eddie Krames, incluem-se três singles contemporâneos (o cortante clássico ácido Pulple Hazem, Hey Joe e o meigo The Wing Cries Mary), para além de outros na face b. Todos eles são partes constituintes da história do rock, reconhecidos como iniciadores de uma nova era.
O álbum original era todo ele constituído por músicas de qualidade. O frenético Manic Depression eleva as profundidades do desespero, tal como I Don´t Live Today, ambos presságios da trajectória meteórica de Jimi.
O extenso “tour de force” Third Stone From The Sun apresenta todo um festival de vozes distractivas e matizes psicadélicas. Are You Experienced? coloca a conhecida frase hippie sobre um fundo de baterias distorcidas e estalidos lacerante de guitarra. Red House revela a impressionante habilidade de Jimi para tocar blues, e o seu minucioso conhecimento da forma.
in "1001 Discos para ouvir antes de morrer seleccionados e escritos por 90 críticos internacionais de renome"

Lugar Comum

The Cure, 8 de Março, no Pavilhão Atlântico.
Faz precisamente 10 anos que os vi pela primeira vez. Estou lá.

Diferentes sons, diferentes públicos ou o rock contemporâneo estereotipado

Rock n´roll: “é pá, vou ali fazer a próxima tatuagem porque a tatuadora tem umas mamas mesmo grandes” ou eu quero é copos e gajas e quanto mais tatuagens tiver mais importante sou

Psicadélico: “Deus é uma serpente…. Jefferson Air…. Isso… Isto está a bater” ou sou um grande poeta mas só quando tomo drogas

Metal: “isto é que é tocar, ouve, ouve” ou o que não é metal é mesmo mau

Glam: “se houver uma festa se calhar faço isso” ou não sou gay mas posso ser se beber muito e estiver muita gente a olhar

Punk: “é o costume, a culpa é dos gajos que mandam nesta merda” ou sou vítima do sistema mesmo que tenha partido o bar todo

Post-Punk: “gosto de estar com eles de vez em quando mas às vezes exageram” ou eu gosto dos punks mas acho que sou mais inteligente do que eles.

Gótico: “a maquilhagem está bem? Ontem comecei a ler O castelo de Otranto… Está bem, e as calças, ficam-me bem? Isso não é bem preto…” ou a imagem é o mais importante, o resto vem por acréscimo

Grunge: “o Kurt e o Eddie são bons, claro, mas o scott também é muito bom” ou gosto de qualquer gajo que cante com voz de casa de banho

Indie: “amanhã vou partir tudo com as minhas all stars novas” ou betinhos dos arredores das grandes cidades que querem ser radicais

1001 discos para ouvir antes de morrer #Dead Kennedys

Fresh Fruit for Rotting Vegetables
Nao é por acso que o álbum de estreia dos Dead Kennedys foi publicado no mesmo ano em que Ronald Reagan foi eleito presidente dos EUA. A sua atitude contra o populismo de direita macerado por uma reconversão cristã servira de perfeito contraponto, assim como de inspiração, à música politicamente radical da banda.
Gravado nos estúdios Mobius, Fresh Fruit… é um álbum excepcionalmente inteligente e humorístico que satiriza a panorâmica desoladora da época. “Holiday in Cambodia” é um ataque feroz contra os yuppies, enquanto “Kill the Poor” é uma banda sonora abrasiva para Uma Modesta Proposição de Jonathan Swift. Para demonstrar que o seu desprezo não estava apenas reservado à direita, Biafra também atacou o governador democrata Jerry Brown em “Califórnia Uber Alles” (descrevendo-o como um fascista zen). Ainda que uma boa parte do interesse dos Dead Kennedys estivesse radicado nas letras de Biafra, a inteligência e contundência do discurso musical afastou-se da fórmula clássica de três acordes da cena punk. A pesada introdução de “… Cambodia” pressagia o tom escuro da canção, da mesma forma que “California” arranca com toda a pujança.
Os Dead Kennedys perderam a batalha com Kennedy e as suas forças de direita mas, como grito às armas, muito poucos podem bater este disco.

Relíquias #6 DeathRock - Batcave


O Deathrock surge nos Estados Unidos, já nos finais da década de 70, quando os filmes de terror começavam a ter grande influência para alguns membros do movimento punk.

O movimento começa a concentrar-se em várias cidades norte-americanas, especialmente em Los Angeles, com bandas como 45 Grave (1979), Christian Death (1979), Kommunity FK (1981), Gun Club (1981), Voodoo Church(1982) ou Burning Image(1983). Simultaneamente, surgem várias bandas de outras partes da América que só mais tarde são consideradas parte domovimento. A maior parte das bandas de Deathrock foram, pelo menos parcialmente, influenciadas por artistas do Glam Rock, como David Bowie, Alice Cooper, T. Rex, The New York Dolls, assim como por progenitores do Punk, como MC5, the Stooges, Richard Hell & The Voidoids, etc.

Essas primeiras bandas do Deathrock tinham como base o Punk, ocasionalmente o HardCore, mas adoptavam visuais obscuros e temas emprestados da cultura pop. A esse aglomerado de punk e trilhas sonoras de filmes de horror chamou-se deathrock. O novo movimento não foi desde logo identificado como um subgénero do punk, era apenas considerado como um punk ou hardcore mais dark.

Paralelamente, o movimento fazia-se, também, sentir em Londres. “Batcave” era o nome do clube londrino onde se davam os primeiros passos do gótico-rock.

Quando abriu, em 82, Batcave era um clube centrado na new wave e no glam rock. Mais tarde começou a focar-se na nova tendência que emergia: o gótico-rock. O clube funcionava sob a direcção de Ollie Wisdom, o líder dos Specimen, banda da casa.

As bandas que mais lá tocavam (os Alien Sex Fiend e os Sex Gang Children), muito influenciadas pelo Horror existente na cultura pop britânica, começaram a desenvolver um som mais obscuro, separando-as das bandas britânicas de New Wave e Glam...

Se lá estivéssemos estado, ter-nos-íamos com certeza cruzado com Robert Smith, Siouxsie Sioux, Foetus, Marc Almond, Nick Cave e Danielle Dax, alguns dos seus frequentadores assíduos.

O clube foi de tal forma importante para a afirmação do gótico-punk que o seu nome passou a ser usado para descrever o próprio movimento. Batcave é, hoje, o nome dado aos fãs de música gótica com influências post-punk.

Mas continuemos…

No início de 1983, a Cena Batcave, na Inglaterra, adquiriu o rótulo de “Positive Punk”, mas em menos de um ano foi modificado para “Goth” e “Gothic”. No mesmo ano, The Gun Club e Chistian Death começaram um torné pela Europa, o que significou que a Batcave europeia e o DeathRock americano se influenciavam, agora, mutuamente.
Tendo como pano de fundo essa tendência, dois anos depois, em 1985, a banda de deathrock Kommunity FK começou um torné com a banda batcave Alien Sex Fiend. Dessa forma e com o passar do tempo, Death Rock e Batcave começaram a fundir-se, desenvolvendo o Gótico-Rock.

A década de oitenta, repleta de medos e dúvidas, marcou profundamente a segunda geração do Gótico-Rock. As influências pós-punk começaram a diminuir e a serem substituídas por um rock mais sério e orientado. O ritmo do Gótico- Rock abrandava, tornando-se cada vez mais mecânico e com grande disseminação do uso de baterias electrónicas. Também as vozes agressivas do punk e pós-punk começavam a serem substituídas por vozes sombrias e desagregadas.

Durante a terceira geração do Gótico-Rock, em meados da década de 90, a música começou a incorporar vários elementos mais rudes: sons inspirados em fábricas da música Industrial e sons mais electrónicos e repetitivos do EBM e Electro-industrial. Começava-se a perder alguma da introspecção remanescente do romantismo, inerente às primeira e segunda gerações. Alguns clubes góticos alternavam entre o Deathrock e a música electrónica alternativa (EBM, Futurepop, Darkwave, Power noise, etc.) para atrair uma multidão crossover.

Essas mudanças alienaram e desviaram muitos góticos que preferiam os sons energéticos e punkers do Deathrock e do Batcave. O descontentamento crescente com o novo rumo do Gótico-Rock levou muitos góticos a afastarem-se e a regressarem às raízes do Deathrock/Batcave.

Em Portugal sobram muito poucos...

O primeiro álbum de Motornoise acaba de sair.

Depois de muitas curvas e contracurvas, finalmente sai o primeiro álbum de MOTORNOISE.
A tour de apresentação do disco começa dia 30 deste mês, no Porto Rio e segue pela Europa fora.

Dizem eles que "Os Motornoise praticam um punk pesado e descarnado, pontuado pela caótica presença em palco do carismático vocalista Frágil (ex Renegados de Boliqueime e ex Speedtrack), pelos riffs metralhados pela guitarra cerrada de Guerra (também ex Renegados de Boliqueime e Speeedtrack), pelo peso do Baixo em constante overdrive de Oscar (ex Cagalhões, Cães Vadios e Speedtrack), pela eficácia e o virtuosismo da bateria de Gustavo (homem de inúmeros projectos no activo entre os quais Genocide, Stealing Orchestra e Sikhara) e pelas deambulações endiabradas do saxofone de Pupa (também elemento dos Here B Dragons). Num desafio a tímpanos desprevenidos, ensaiam momentos que vão do punk hardcore old school mais ortodoxo ao free jazz mais desconexo." Concordamos.


Para comprar: http://www.invasionrock.com/

Paredes de Coura. Continua...

Dia 12 de Agosto - Devotchka, ...

Dia 13 de Agosto - Mando Diao, Low Budget Research Kitchen, Blasted Mechanism, Sparta, ...

Dia 14 de Agosto - Gogol Bordello, New York Dolls, Architecture in Helsinki, Spoon, Mão Morta...

Dia 15 de Agosto - Sonic Youth, Cansei de Ser Sexy, Sunshine Underground, Electrelane, ...

Novo álbum dos Turbonegro sai a 9 de Julho

Está disponível aqui em wmv o novo video-clipe do Turbonegro, da música "Do You Do You Dig Destruction", faixa de "Retox", novo álbum da banda que será lançado dia 09 de julho.Track List:01 We're Gonna Drop The Atom Bomb02 Welcome To The Garbage Dump03 Hell Toupée04 Stroke The Shaft05 No06 I'm Alpha Male07 Do You Do You Dig Destruction08 I Wanna Come

Young Gods em Julho

Já devem ter nacionalidade portuguesa, com a quantidade de vezes que por cá passaram. Mas a malta não se importa. E se for para apresentar o estrondo de álbum que é o novo "Super Ready / Fragmenté", muito menos. Pois é, os Young Gods vão estar no Porto, a 13 de Julho, para um festival (já se sentia a falta do anúncio de mais um festival, não era?), segundo informação disponível no site do grupo (ver aqui). O calendário da digressão permite ainda pensar noutras eventuais datas por Portugal, mas o melhor é aguardar para ver. (in juramento sem bandeira)

Lembro-me de os ver algumas vezes mas o último concerto deles que assisti, no Hard Club, foi um dos melhores que vi até hoje. Fiquei petrificada duas horas (mais coisas da época ajudaram mas isso não interessa para nada). A não perder.

Pop dell´ Arte, hoje, no Lux


1001 discos para ouvir antes de morrer # The Dictators

Go Girl Crazy!
Em 1975, dois rapazes norte-americanos, Legs McNeil e John Holmstrom, gastaram a maior parte do seu Verão a ouvir o álbum Go Girl Crazy! dos Dictators. Embebedavam-se todas as noites e acabavam aos gritos a cantar cada uma das canções do disco. Não muito tempo depois, estes dois rapazes foram os fundadores da revista Punk, uma das bíblias desse movimento anárquico que eclodiu nos últimos anos da década de setenta.
Tal como os New York Dolls, os The Dictators eram precedentes do punk. Anos antes de se ouvir falar dos Ramones, The Dead Boys e dos Sex Pistols, Dick Manitoba, a “arma secreta” dos The Dictators, já cantava acerca de vomitar comida no McDonalds, beber cerveja e assistir a filmes duvidosos de série B. Go Girl Crazy! foi um dos primeiros discos punk, muito antes de se ouvir falar dessa definição. Mas oferecia muito mais: sons de garage surf e heavy metal – o guitarrista Ross “The Boss” Funichello fundou muito mais tarde os Manowar. Os The Dictators conseguiram inúmeros admiradores, em parte graças ao sentido de humor da banda.
O disco incluía todos os ingredientes para ser um êxito, mas os acontecimentos tomaram um rumo infeliz. Pouco tempo depois do lançamento do álbum a Epic despediu-os: má gerência, digressões mal planificadas e lutas entre os membros da banda não ajudaram.
O álbum não atraiu grande interesse até 1977, momento em que as bandas como os The Ramones tinham já polido a sua própria marca punk. Os The Dictators foram marginalizados. No entanto, Go Girl Crazy! chegou primeiro!
in "1001 Discos para ouvir anes de morrer seleccionados e escritos por 90 críticos internacionais de renome"

Hoje, no Indie

"Do You Believe in Rapture", elegia dos Sonic Youth ao extinto CBGB, e "Filhos do Tédio", documentário de Rodrigo Fernandes e Rita Alcaire sobre os Tédio Boys e o ambiente rock'n'rollesco de Coimbra. Hoje, no São Jorge, pelas 18h45. Repete dia 27 de Abril, em sessão da meia-noite, no cinema Londres. (in Juramento sem bandeira)

Já rasguei a minha


Acho sempre piada a festas punk sem punks. A festa do Lux intitulada Do It Yourself T-shirt, baseada no conceito DIY (faz tu mesmo), é uma delas. Terça-feira, véspera de feriado, alguns dj´s vão passar aquilo a que chamam punk e pós-punk, o mesmo que dizer passar os Sex Pistols e os Ramones mais umas batidas novinhas em folha porque o punk ainda não morreu nem está doente. E tem-se que levar t-shirt a condizer (com o conceito, claro). Mais uma festa de Carnaval, portanto. Vamos todos voltar à moda 77 (porque do punk anterior ninguém sabe) e, se der para convencer umas miúdas, ainda se diz que se foi ver um concerto de Clash a Paris há não sei quantos anos (Zé Pedro dixit). Repita esta frase três vezes e tornar-se-á numa “verdadeira enciclopédia sobre música” (director da SIC Radical sobre o Zé Pedro).
O que já não acho piada mesmo nenhuma é o facto de estes senhores virem para os jornais falarem de coisas sobre as quais não têm conhecimento absolutamente nenhum. E não se calam com o punk. Ai, pois, “eu já fui punk mas agora já sou crescido”. Ou, “quando era miúda tinha a mania que era punk”. E eu pergunto-me, não têm vergonha? Não, já percebemos. Também percebemos que para muitos o punk é uma t-shirt rasgada e um disco dos Sex Pistols a tocar na aparelhagem mais cara do mercado. Perdoemos-lhes, eles não sabem o que dizem.
Desenganem-se aqueles que pensam que não gosto do conceito da festa. Eu até acho piada a festas punks sem punks. Mas não ando por aí a dizer que sou punk ou que já fui e que blá blá blá (ah! Estou à espera do Iggy). Raramente gosto de festas de Carnaval mas esta até é baseada num conceito que estimo. Se calhar até apareço, de dama de honor dos anos 70, para ser original.
Eu sei que é o conceito estético que lá está, que não é preciso ser-se punk para ouvir punk mas uns punks de verdade ficavam lá bem melhor. E o que mais sei é que nenhum deles queria lá estar. Nada feito, portanto.